quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Entre dois quarteirões.

Ela queria o mundo para ela.  O mundo todo. Ainda que o mundo que ela conhecia tivesse a grandeza de dois quarteirões – em uma ponta a escola e na outra a casa da tia Luiza.
Ela queria que todos olhassem para ela,ainda que o todos não passassem dos colegas de turma, papai,titia e alguns vizinhos.
Papai a chamava de princesa. E a tia,de princesinha. Alguns vizinhos lhe bagunçavam os cabelos enquanto conversavam com o papai. E as amigas da tia lhe davam doces mimados.
Quando o pai chegava tarde em casa derrubando o vaso da porta e se escorando na escada,a princesa saia da cama com o seu chinelinho e ficava parada no último degrau encolhidinha. O pai começava a chorar sentado no primeiro degrau e a princesa chorava quietinha na outra ponta.
No outro dia,acordava na sua cama, quentinha,afagada pela tia,bom dia,princesinha. E levava a menina pra tomar café na mesa da cozinha e o pai já estava lá,bom dia,princesa. E eles sorriam,o pai, a tia e a princesa princesinha.
E através dos olhos dela,o reino era só dela,entre dois quarteirões em que todos olhavam para ela.


Texto da Jornalista Priscila Schip
Fotografia : Thays Rosa

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