segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Sobre trilho e trem.

''O apito soou longo,profundo,transpassando minha alma. Nos vagões de madeira,vértebras do grande réptil,centenas entraram e se mostraram pelas janelas. O último trem... O derradeiro... Depois dele,nada mais... O apito de novo... Desejei que fosse eterno. Pisquei os olhos úmidos fotografando a cena''. 


''Uma telha caiu quando passei. No chão outras tantas se amontoavam a pedaços de janelas,vidros quebrados... As portas não existiam há dois anos e uma fogueira foi alimentada pelas tábuas que ajudei a fechar muitas vezes. Quem diria que apenas há alguns anos esperei Anita no banco perto da bilheteria cercado de gente-que-esperava e gente-que-ia e gente-que-vendia... Agora apenas a solidão de ruínas...''

''Quando pequeno,pulava dormentes... Andava sobre os trilhos quente equilibrando,equilibrando... Caindo com os pés as pedras azuis esbranquiçadas... Ás vezes punha o ouvido sobre os trilhos : Podia-se ouvir o Trem chegando... Outras vezes era o apito que nos assustava e saiamos dos trilhos para ver passar a Máquina,os vagões... Um,dois,três... Quarenta... Perdia a conta,não ando mais nos trilhos. Mas até hoje conto os vagões : Um,dois,três... quarenta...''


''Na época da construção da Estrada de ferro havia mata e até onça. O trem atropelou uma um dia... A malária matou muitos trabalhadores. A gripe outro tanto... Mas a Estrada saiu... Aquela Estação ali tem o nome de comida de onça:
Um engenheiro distraído... ''
A menina levava comida. Passava de saia rodada da escola local. Passava e agente olhava... Pulava os trilhos ao vento e agente olhava...
 Que comida cheirosa! - Gritava Manuel...O maquinista,pai da menina,não ouvia... Surdo que era...''

''Será O Fim?''.


2 comentários:

  1. Gostei posso posta no meu Blog: http://vidadmaquinista.blogspot.com.br/
    Por favor seu nome se acaso, autorizar o post!!!
    Gostei das suas fotos parabéns.
    Maquinista Clodoaldo.

    ResponderExcluir